terça-feira, 17 de abril de 2012

O Kimbundo nosso de cada dia!



Em meados do século XVII, o contingente bantu era tão grande em Salvador que que um padre chamado Pedro Dias, resolveu escrever uma gramática para facilitar a catequese dos africanos, onde várias palavras bantu substituíram as de sentido equivalente em português como:
Insultar por “Xingar” / Dormitar por “Cochilar”. / Nádegas por “Bunda”. / Aguardente por “Cachaça”.
Os sistemas lingüísticos do bantu e do português arcaico são muito próximos, o que teria permitido uma aglutinação, uma mistura muito bem resolvida.
E é a mulher africana quem foi a base de todo esse entrosamento cultural, como uma espécie de porta-voz entre a casa grande e a senzala.
Ela participava da vida cotidiana do colonizador, servindo-lhe de mucama e de babá. Com ela os meninos brancos aprenderam a falar, assim, africanizamos o português de Camões, numa verdadeira antropofagia lingüística. Por isso no Brasil, onde esta a maior população de ascendência negra fora da África, não existe um crioulo como segunda língua, ou mesmo como língua nacional.
Em Angola e Moçambique também não, e pelos mesmos motivos. Já em Guiné, outra colônia Portuguesa, é diferente; lá não se falava bantu, e o encontro com a língua portuguesa, foi mais conflituosa.
Resultado: Hoje falamos Bantu sem saber.
Caxumba, marimbondo, senzala, maconha, dengo, samba, quilombo, mucama, mama, cafofo, cangica…